Entrevista com a cosplayer Victória Atadini – Vicky

Nome: Victória Atadini

Idade: 24 anos

Fale resumidamente sobre você:

Sou um poço de caos, haha!

Minha vida e a minha personalidade são baseadas em três palavras: Dramática, teatral e intensa!

Eu não consigo me satisfazer ou meramente me contentar com o que é superficial, e é por isso que eu não me dou muito bem com pessoas e prefiro bichinhos e o mundo da fantasia.

Gosto de pensar que agora a fantasia é minha realidade, então não levo a fantasia como algo de livros, de contos, como apenas histórias que nos encantam e iludem pela magia, mas como uma certeza de que é assim que eu quero ser e é isso que eu quero fazer.

Se eu quero ser uma princesa, então eu sou ou serei princesa, se eu quero ser feiticeira, eu serei, se eu quero ser ninja, também serei! Não há limitações quando se vive assim, e essa é a melhor parte de tudo!

Pode ser um contraponto eu odiar mentiras, mas eu não acredito em fantasias, em contos de fada… Eu vivo, eu faço com que sejam reais dentro da minha verdade.

Trabalha/estuda?

Atualmente só estudo.

Onde mora?

São Paulo – Capital.

Qual foi seu primeiro Cosplay?

Amane Misa.

Quantos Cosplays já fez?

Completos, dois (Misa e Arlequina) e incompleto da Poison Ivy.

Qual seu último Cosplay e qual foi o que mais gostou?

Meu último foi da Arlequina e até agora não tenho nenhum que eu mais tenha gostado.

Já sofreu algum tipo de preconceito?

Muitas vezes de amigos que não se encaixam nesse público otaku/geek, de desconhecidos e tenho certeza que de alguns familiares.

Quais são seus planos para o futuro? Pretende fazer Cosplay até quando?

Não pretendo parar! Tenho vários projetos prontos no papel e levo isso como um estilo devida, e não somente algo que começa e termina dentro do evento ou por causa do evento. No final de 2015 descobri que é com isso que eu quero trabalhar, e apesar de não ter feito muita coisa, estudo muito e faço muitas pesquisas sobre materiais e mão de obra. É algo que me fascina!

Você se inspira em alguém?

Não. Há apenas uma cosplayer gringa que acompanho, mas não me inspiro nela, apenas gosto de como ela trabalha (talvez eu deva me inspirar na paciência que ela tem para fazer as coisas, pois me irrito facilmente quando algo dá errado).

Quais personagens você mais gosta e se identifica? Porque?

Pensar em apenas um personagem é bastante limitado; O cinema tem feito um ótimo trabalho dando vida e mostrando a personalidade dos personagens de forma que podemos cada vez mais nos colocar no lugar deles, encontrar semelhanças em cada um. Pessoalmente eu vi muito de mim no Loki, irmão do Thor (realmente me encontro nele), na Feiticeira Escarlate do X-Men Evolution, na Arlequina do cinema, no V de V de Vingança, no Coringa, na Serena/Usagi/ Sailor Moon e no Yagami Raito/Kira. A maior parte deles são vilões, mas eu não os vejo dessa maneira, e isso faz parte do meu idealismo e de como eu encaro a vida de forma bem particular. Se formos analisar bem, algumas atitudes encontradas neles nós tomamos no dia a dia, e outras só não tomamos por falta de poderes ou de um Death Note (ou de loucura mesmo). Vejo toda minha insegurança e medo na Sailor, todo meu desejo, idealismo e determinação de justiça no Kira e no V, minha raiva e necessidade de vingar o que me fizeram como a Feiticeira do desenho, na loucura do Coringa (que eu admiro e respeito, por mais insano que seja), nas tentativas da Arlequina de desequilibrar o psicológico dos outros integrantes do Esquadrão (até cursei psicologia como a personagem antes de se tornar vilã, e queria um trabalho como o dela ou como o dos profissionais em Criminal Minds! xD) e claro, com o Loki, pelo desejo de poder, pela revolta e por tudo que ele faz para se sentir no controle da própria vida… São todos aspectos e sentimentos humanos.

O que te inspirou a querer ser cosplayer?

Acho que um conjunto de fatores! Eu era bem pequenininha mas ainda consegui pegar a época da TV Manchete e ficava assistindo Sailor Moon, sempre implorei para minha mãe comprar a fantasia dela pra mim (mas nunca ganhei); Eu quase não tive amigos na infância, sempre ficava em casa deitada na cama assistindo desenhos (e foi assim até o colegial), foi quando eu comecei a assistir Naruto pelo SBT e retomar o contato com um amigo da escola (que já curtia essas coisas)… Ele me apresentou tudo no começo, e depois eu fui desenvolvendo a paixão, inclusive e principalmente pelo cosplay! Atualmente meu maior apoiador, ajudante e enciclopédia de comics é meu namorado Fernando, que me ajuda muito tanto fazendo acessórios quanto me animando quando desanimo ou me acalmando quando fico nervosa.

Na sua opinião, qual a maior dificuldade em fazer cosplay?

Bom, no Brasil, é tudo muito caro, e temos escassez de materiais. Eu assisto muitos vídeos de norte americanos ensinando as coisas em tutoriais, já vi até reprodução de armas e armaduras com o próprio material (de armas brancas de verdade), mas mesmo o básico, feito de worbla ou e.va, leva vários materiais diferentes (para um bom acabamento), ferramentas diferentes e um espaço que não vá prejudicar outras pessoas e animais em casa ou até mesmo os vizinhos.

Muitas ferramentas eles já possuem naquelas garagens enormes, geralmente tem cabanas no fundo de um quintal grande para fazer o que querem, sem atrapalharem ninguém e sem serem atrapalhados. Acredito que isso vá além das condições financeiras de cada um e demonstre um pouco da diferença cultural e econômica de cada país. É até inacreditável como é possível a forma que um país se construiu e se acostumou a ser, interferir num cosplay, mas é nesses momentos em que vemos como uma coisa implica na outra.

O que acha da popularização dessa arte?

Gosto e não gosto!

Gosto pois acaba diminuindo o preconceito e a visão generalizada das pessoas desse mundo, mas desgosto pois a maior parte não faz por realmente gostar, e sim por mera tendência, a famosa “modinha”. Para os negócios, financeiramente falando e num geral, isso é ótimo, pois o interesse é ganhar dinheiro, mas como eu disse, sou uma pessoa bem intensa e profunda,

não admito nada que seja superficial, e muita gente que há anos atrás (antes de a Marvel e a DC começarem a levar a sério como agora) zoava pessoas como os que sempre foram geeks, agora estão atrapalhando enchendo as filas do cinema, batendo boca com quem realmente entende e sempre gostou do assunto, enchendo eventos que podem até dar como esgotado para quem realmente gosta, ganhando a vida como cosplayers quando daqui a um tempo vão parar com isso pela próxima tendência e voltarão aos mesmos comentários e “achismos” maldosos de antes.

Quais suas recomendações, dicas ou conselhos para quem está começando?

Bom, eu também me considero iniciante no assunto mas desde os 15 anos que sonho em fazer cosplay e eu já tenho 24 anos, esse ano farei 25 então são 10 anos só desejando! (desejando fazer os que eu mais quero)

Eu sempre fui muito parada em tudo na vida, até para as coisas que eu gosto, então meu conselho (que é valido não comente para cosplay, mas para tudo) é que se você quer fazer, corre atrás! Hoje em dia temos acesso a internet, tudo ficou mais fácil, podemos aprender as coisas em questão de minutos. Assista tutoriais, conheça materiais, vai na 25 de março ou onde tem esses centros que vendem de tudo na sua cidade e conheça novos materiais (você nunca sabe quando vai precisar usá-los!). Até hoje eu não fiz o cosplay dos meus sonhos pois não sei costurar direito, e como os tecidos que eu quero nele são caríssimos, eu tenho medo de perder R$ e estragar tudo (e eu mesma quero fazer para fazer do meu jeito, costureiras raramente fazem como você imagina, pois elas não conhecem muito bem esse mun do e esse conhecimento faz diferença), mas tenho planos fazer cursos de modelagem e costura assim que voltar a trabalhar e puder pagar um (como é algo envolve a prática, e um material caro eu não me sinto segura apenas de assistir vídeos online e arriscar, além de eu realmente querer me especializar nisso). Mas o ponto é: vai atrás do que você quer fazer, não deixa pra depois, colecionar arrependimentos e oportunidades não aproveitadas não é saudável e nem divertido! Colecione conhecimento, experiências boas e várias histórias ilustradas com muitas fotos suas de cosplay!

Próximos eventos?

Não tenho previsão para nenhum evento.

Redes Sociais:

Instagram: Vicky

Facebook: Vicky

 

Um comentário em “Entrevista com a cosplayer Victória Atadini – Vicky

  • Janeiro 18, 2017 em 20:43
    Permalink

    Entrevista muito bem conduzida.Editor profissionalissimo!
    Aprofundou temas que me inquietavam no que tange o que se pensa ao compor um personagem: sentimentos, aquisição de materiais, relação entre desejo de criação e mundo externo e o individualismo positivo.
    A entrevistada me passou uma confiança em seu trabalho e segurança em seus objectivos.
    Fez-me refletir: “Nao me roube a solidão se não poderá me oferecer nada em troca”. Nietzsche
    Puramente uma artista em processo de criação não somente de personagens, mas na construção de si mesma. Parabéns Victória! Mais e mais sucessos.

    Obº Tenho ex aluna que já faz trabalho assim. Muito bom investimento profissional e pessoal.

Os comentários estão desativados.